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Homem com dor no maxilar e representação anatômica da articulação temporomandibular
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Dor na ATM e bruxismo: o que realmente causa dor no maxilar

Por que "ranger os dentes" nem sempre é a causa da dor — e por que tratamento irreversível raramente é necessário

6 minutosDor e saúde funcional

Imagem ilustrativa — fonte: acervo editorial do consultório. Não representa exame, diagnóstico, resultado clínico ou promessa de resultado.

Dor na frente da orelha, dificuldade para abrir bem a boca, um estalo ao mastigar, e muitas vezes uma dor de cabeça que parece nascer na mandíbula. É comum ouvir que a causa é "bruxismo" — ranger ou apertar os dentes à noite — e que a solução é uma placa de mordida. A relação entre os dois é real, mas mais complicada do que parece: hoje se sabe que o bruxismo é um fator de risco possível, não uma causa comprovada da dor.

Um problema mais comum do que se imagina

A disfunção temporomandibular — o nome técnico para esse conjunto de problemas na articulação da mandíbula e nos músculos da mastigação — é frequente: uma revisão reunindo estudos do mundo todo estimou que cerca de 34 em cada 100 pessoas têm algum sinal da condição, com a América do Sul entre as regiões de maior prevalência. No Brasil, estudos com adolescentes encontraram sintomas em torno de 35 em cada 100, mais comuns em meninas, e levantamentos com adultos mostram que a maioria relata pelo menos um sintoma ao longo da vida — embora a maior parte dos casos seja leve e passageira.

O diagnóstico de disfunção temporomandibular hoje segue um protocolo internacional que avalia dois eixos: o físico (dor, limitação de movimento, ruídos na articulação) e o psicossocial (estresse, ansiedade, qualidade do sono) — porque os dois influenciam diretamente a intensidade e a persistência da dor.

O papel real do bruxismo

Aqui está o ponto que costuma surpreender: um consenso internacional de especialistas, publicado em 2018, revisou a relação entre bruxismo e dor na ATM e concluiu que o bruxismo não está comprovado como causa direta da dor — ele é tratado como um possível fator de risco, com um mecanismo plausível mas não demonstrado com certeza. Isso não significa que bruxismo seja irrelevante. Significa que apertar ou ranger os dentes pode contribuir para a sobrecarga muscular em algumas pessoas, mas não explica, por si só, todos os casos de dor na mandíbula — e tratar apenas o bruxismo nem sempre resolve a dor.

Por que começar pelo simples

Diretrizes de cirurgia bucomaxilofacial recomendam começar sempre pelo tratamento reversível e menos invasivo: entender o problema, ajustar hábitos (evitar mastigar chiclete em excesso, apertar menos os dentes durante o dia, controlar estresse), fisioterapia e, quando indicado, uma placa de mordida noturna. A cirurgia é reservada para uma minoria de casos que não respondem a esse tratamento inicial.

Uma revisão da Cochrane sobre placas de mordida encontrou evidência de certeza muito baixa — o que quer dizer que não dá para afirmar com confiança que elas funcionam melhor do que outras abordagens simples, embora muitos pacientes relatem alívio. Já estudos sobre terapia cognitivo-comportamental mostraram melhora na maioria das pesquisas, especialmente quando combinada a outras medidas — mas ainda sem avaliação robusta da qualidade da evidência.

Na dor da ATM, o tratamento que não pode ser desfeito deveria ser o último, não o primeiro, a ser tentado.

O que não tem respaldo como primeira escolha

Ajuste irreversível da mordida (desgastar dentes para "encaixar" a oclusão) e ortodontia feita especificamente para tratar dor na ATM não têm comprovação de benefício e podem causar dano permanente sem necessidade. Cirurgia só deve ser considerada depois de esgotadas as opções conservadoras, segundo diretrizes da especialidade.

Este texto tem finalidade informativa e educativa. Não substitui consulta, não serve para diagnóstico e não deve ser usado para iniciar, suspender ou mudar tratamento por conta própria.

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