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Mulher madura com dor persistente no joelho operado, ao lado de ilustrações anatômicas
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Dor crônica pós-cirúrgica: quando a dor da cirurgia não vai embora

Por que algumas cirurgias deixam dor persistente, quem tem mais risco e o que hoje ajuda a prevenir

6 minutosDor crônica

Imagem ilustrativa — fonte: acervo editorial do consultório. Não representa exame, diagnóstico, resultado clínico ou promessa de resultado.

A cirurgia terminou, a ferida cicatrizou, os exames de controle vieram normais — e a dor continua. Para uma parte das pessoas que passam por uma cirurgia, isso não é exagero nem "dor imaginária": é uma complicação reconhecida, chamada dor crônica pós-cirúrgica, e depende muito do tipo de operação.

O que define esse tipo de dor

A classificação internacional de doenças da Organização Mundial da Saúde (CID-11) define a dor crônica pós-cirúrgica como aquela que surge ou aumenta de intensidade depois da cirurgia e persiste por três meses ou mais além do tempo normal de cicatrização — desde que outras causas, como infecção ou recidiva da doença original, tenham sido descartadas.

O risco varia enormemente conforme o tipo de cirurgia. Revisões brasileiras e internacionais mostram faixas amplas: cirurgias de amputação de membro (30 a 85 em cada 100 pessoas), toracotomia — abertura do tórax (5 a 65 em cada 100), cirurgia de mama (11 a 57 em cada 100), hérnia inguinal (5 a 63 em cada 100), prótese de joelho (13 a 53 em cada 100), prótese de quadril (27 a 38 em cada 100) e cesárea (6 a 55 em cada 100). A variação grande entre os estudos reflete diferenças de definição e de acompanhamento, mas o padrão geral se repete: cirurgias que envolvem manipulação extensa de nervos têm mais risco.

Por que isso acontece

Durante a cirurgia, nervos da região operada podem ser cortados, estirados ou inflamados — e esse dano pode disparar um processo de sensibilização no próprio sistema nervoso, tanto nos nervos periféricos quanto no processamento da dor no sistema nervoso central. Em parte dos casos, esse processo não se desliga quando o tecido termina de cicatrizar, e a dor persiste por conta própria.

Alguns fatores aumentam esse risco: ansiedade importante antes da cirurgia, dor aguda intensa ou mal controlada nos primeiros dias após a operação, e a presença de outras condições de dor crônica antes da cirurgia, como fibromialgia, enxaqueca ou síndrome do intestino irritável. Fatores psicológicos, como a tendência a catastrofizar a dor — temer o pior cenário possível —, também aparecem associados a mais risco nos estudos.

A forma como a dor é controlada nos primeiros dias depois da cirurgia pode influenciar se ela vai, ou não, se tornar crônica.

O que a ciência sabe sobre prevenção — com honestidade

A estratégia com resultados mais consistentes é o bloqueio anestésico regional — anestesiar especificamente os nervos da região operada, durante e depois da cirurgia. Dados brasileiros mostram redução de cerca de um terço no risco de dor persistente aos seis meses com essa técnica em cirurgias selecionadas.

Já o uso de gabapentina ou pregabalina como prevenção — uma prática que já foi comum — tem evidência contraditória: diretrizes mais recentes de sociedades de anestesia regional afirmam não haver evidência de apoio suficiente para essa indicação, enquanto revisões brasileiras mais antigas eram mais favoráveis. Isso significa que a prática está em revisão, e a decisão deve ser individualizada pela equipe anestésica, não automática.

É importante ser honesto sobre outra parte: uma vez que a dor crônica pós-cirúrgica já está estabelecida, revisões brasileiras sobre o tema reconhecem que as opções de tratamento ainda não estão bem definidas. O manejo nesse estágio costuma seguir os mesmos princípios de qualquer dor crônica — avaliação especializada, combinação de abordagens físicas, psicológicas e medicamentosas — mas sem uma fórmula única comprovada.

Este texto tem finalidade informativa e educativa. Não substitui consulta, não serve para diagnóstico e não deve ser usado para iniciar, suspender ou mudar tratamento por conta própria.

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