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Mulher com dor na face, com representação anatômica dos seios da face inflamados
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Sinusite: quando o antibiótico ajuda e quando não

A maioria dos casos começa como resfriado e passa sem remédio nenhum

6 minutosSaúde respiratória

Imagem ilustrativa — fonte: acervo editorial do consultório. Não representa exame, diagnóstico, resultado clínico ou promessa de resultado.

Começa como um resfriado. Alguns dias depois, em vez de melhorar, vem a dor no rosto, a sensação de peso atrás dos olhos e da testa, o nariz entupido de um jeito diferente. A primeira pergunta de quase todo mundo é a mesma: preciso de antibiótico? Na maioria das vezes, a resposta é não — e entender por quê evita um remédio desnecessário.

O que é, por tempo

Rinossinusite é a inflamação do nariz e dos seios da face, e se classifica pelo tempo que dura: aguda, até 4 semanas; subaguda, de 4 a 12 semanas; crônica, mais de 12 semanas; e recorrente, quando são 4 ou mais episódios agudos em um ano, com recuperação completa entre eles.

O diagnóstico pede pelo menos dois sinais entre: nariz entupido, secreção que escorre pela frente ou pinga na garganta, dor ou peso no rosto, e perda ou redução do olfato.

Quase sempre começa como vírus

A grande maioria dos casos agudos começa com uma infecção viral — o resfriado comum. Só uma fração pequena evolui para infecção bacteriana: estima-se que isso aconteça em 0,5 a 10 em cada 100 infecções virais de vias aéreas. Um adulto tem em média de 2 a 5 resfriados por ano.

Isso explica por que a maior parte da sinusite aguda melhora sozinha, com paciência e cuidado de suporte — e por que começar com antibiótico de cara costuma ser remédio para o problema errado.

Como diferenciar vírus de bactéria

Existe um critério prático, usado pelas diretrizes: suspeita-se de infecção bacteriana quando a secreção nasal purulenta e a dor ou pressão no rosto não melhoram depois de 10 dias, ou quando o quadro melhora e depois piora de novo dentro desses 10 dias — a chamada "piora dupla". Sem esses sinais, o mais provável é vírus, e o tratamento é sintomático.

O que o antibiótico realmente entrega

Uma análise que resume os dados da Cochrane sobre antibiótico em sinusite aguda mostra um equilíbrio apertado: para cada 17 pessoas tratadas, uma tem uma cura a mais graças ao remédio. Em compensação, para cada 8 pessoas tratadas, uma tem um efeito colateral a mais — o mais comum é diarreia. O resultado entra na categoria de tratamentos em que o risco de dano pode superar o benefício na maioria dos casos.

Por isso, a diretriz americana de otorrinolaringologia considera observação vigilante — sem antibiótico, com reavaliação garantida — uma opção tão válida quanto tratar de imediato, nos casos não complicados. Quando o antibiótico é escolhido, a primeira opção costuma ser a amoxicilina, associada ou não ao clavulanato, por 5 a 10 dias.

E um ponto importante: nada disso vale para rinossinusite crônica. Nela, o papel do antibiótico é só coadjuvante, e antifúngico — tópico ou em comprimido — não deve ser usado.

Na sinusite aguda, o maior erro não é deixar de tratar. É tratar a causa errada.

O que alivia o sintoma, vírus ou bactéria

Três medidas ajudam independentemente da causa: analgésico para dor e febre; corticoide nasal em spray, que reduz a inflamação da mucosa; e lavagem nasal com soro fisiológico, que ajuda a desobstruir e remover secreção. Nenhuma delas trata a causa — mas tornam a espera muito mais suportável enquanto o corpo resolve.

Por que a sinusite crônica é outra conversa

Quando os sintomas passam de 12 semanas, o mecanismo muda. Deixa de ser, na maioria das vezes, uma questão de bactéria, e passa a envolver alteração na forma como o nariz limpa a si mesmo, alergia, asma associada, e — em alguns casos, com pólipos nasais — um tipo de inflamação ligada a alergia e à sensibilidade a aspirina. É por isso que sinusite crônica raramente se resolve só com antibiótico, e o acompanhamento costuma envolver um otorrinolaringologista.

Este texto tem finalidade informativa e educativa. Não substitui consulta, não serve para diagnóstico e não deve ser usado para iniciar, suspender ou mudar tratamento por conta própria. Sinais de alteração visual, inchaço ao redor do olho, confusão mental ou febre alta associados a sinusite exigem avaliação médica imediata.

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