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Homem segurando o cotovelo dolorido, com destaque anatômico dos tendões
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Tendinite: por que dói mais quando você usa o braço

E por que repouso total costuma atrasar a recuperação

5 minutosDor e movimento

Imagem ilustrativa — fonte: acervo editorial do consultório. Não representa exame, diagnóstico, resultado clínico ou promessa de resultado.

Começa devagar. Uma dor no ombro ao levantar o braço, no cotovelo ao girar a maçaneta, no calcanhar nos primeiros passos da manhã. Dói mais quando você usa, melhora quando para — e aí vem o conselho de sempre: repouso e anti-inflamatório. Funciona por alguns dias. Depois volta. E volta de novo.

O nome mudou porque o entendimento mudou

Durante décadas se chamou tendinite, com o sufixo "ite" indicando inflamação. Quando pesquisadores passaram a examinar tendões doloridos no microscópio, encontraram outra coisa: em vez de células inflamatórias clássicas, viram fibras desorganizadas, sinais de desgaste e de tentativa de reparo.

Por isso o termo preferido hoje é tendinopatia, adotado formalmente por consenso internacional em 2019. Estudos mais recentes mostram que há, sim, alguma inflamação de baixo grau envolvida — mas nada parecido com a inflamação de uma artrite.

Isso não é preciosismo de nome. Muda o tratamento. Se o problema fosse só inflamação, bastaria anti-inflamatório e repouso. Como o problema é um tendão que perdeu capacidade de aguentar carga, a solução passa por devolver essa capacidade — e isso só acontece com carga.

O tendão não precisa ser poupado. Precisa ser treinado, na dose certa e com paciência.

O que realmente funciona

A diretriz mais recente sobre tendinopatia do tendão de Aquiles é direta, e o princípio vale para os outros tendões. Exercício com carga, tão alta quanto o paciente tolerar, é o tratamento de primeira linha, com a recomendação de maior força possível. E, na mesma diretriz, uma orientação explícita: repouso completo não é indicado.

A pessoa deve continuar suas atividades dentro do limite de dor tolerável, e treinar pelo menos duas vezes por semana. A melhora começa a aparecer em cerca de duas semanas, e o ganho relevante costuma vir por volta de doze semanas.

Um estudo comparou duas formas de treino — o exercício excêntrico tradicional e o treino de força lenta com carga pesada. Os dois funcionaram igualmente bem. A diferença esteve na adesão: 92% das sessões cumpridas no treino de força contra 78% no excêntrico. Ou seja, o melhor exercício é aquele que a pessoa consegue manter.

E a infiltração de corticoide?

Aqui os números merecem atenção, porque o resultado de curto prazo esconde o de longo prazo.

Um estudo com 165 pessoas com dor crônica no cotovelo comparou infiltração de corticoide com injeção de placebo. Em um ano, 96 em cada 100 pessoas do grupo placebo estavam recuperadas ou muito melhores, contra 83 em cada 100 do grupo que recebeu corticoide. E a diferença mais impressionante foi na recaída: 54% no grupo do corticoide contra 12% no placebo.

Outro estudo, com 198 pessoas, mostrou a mesma inversão no tempo. Em seis semanas, a injeção ganhava de longe: 78 em cada 100 melhoraram, contra 27 em cada 100 de quem só esperou. Em um ano, quem tinha apenas esperado alcançou o mesmo resultado, e boa parte de quem havia melhorado com a injeção piorou de novo.

A leitura honesta: a infiltração pode fazer sentido em uma situação pontual, para permitir que a pessoa comece a reabilitação. Como estratégia de tratamento, repetida, ela troca alívio agora por pior resultado depois.

O que não ajuda

Plasma rico em plaquetas (PRP). Um estudo com 240 pessoas comparou PRP com uma injeção de mentira, sem substância ativa. Em seis meses não houve diferença. Uma revisão Cochrane sobre lesões de tecidos moles concluiu que não há evidência suficiente para recomendar o uso.

Ultrassom terapêutico. Em tendinopatia do ombro, uma revisão de 11 estudos não encontrou benefício, com ou sem exercício associado. A diretriz do Aquiles recomenda explicitamente não usar ultrassom terapêutico isolado.

Quem tem mais risco

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver tendinopatia, e vale conhecê-los. Diabetes é um dos mais fortes: pessoas com diabetes têm risco cerca de três vezes e meia maior. Antibióticos do grupo das quinolonas aumentam o risco de problemas no tendão, especialmente acima dos 60 anos, em quem tem doença renal e em quem usa corticoide junto. Lesões prévias no mesmo membro, mudanças bruscas no volume de treino e idade acima dos 40 também pesam.

O que esperar

A expectativa realista é de semanas a meses, não de dias. E a notícia boa vem de um acompanhamento de cinco anos com pessoas tratadas apenas com exercício: 27 de 34 se recuperaram completamente da lesão inicial, a grande maioria sem sintomas ao fim do período.

Não é um tratamento animador de ouvir, porque exige constância. Mas é o único que ensina o tendão a aguentar o que a sua vida exige dele.

Este texto tem finalidade informativa e educativa. Não substitui consulta, não serve para diagnóstico e não deve ser usado para iniciar, suspender ou mudar tratamento por conta própria. Programas de exercício para tendinopatia devem ser prescritos individualmente. Se você usa algum medicamento, não altere nada sem falar com quem o prescreveu.

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